Trabalhe em casa
Home office é um regime de trabalho cada vez mais comum no Brasil que traz vantagens para empresas e profissionais
“Lidar com a liberdade que esse regime propõe é um desafio diário, mas facilmente contornável, dependendo do grau de motivação do profissional”
Zeno Rocha, engenheiro de software da Liferay Brasil
“Uma das maiores dificuldades diz respeito ao controle do tempo. Trabalhar em casa exige alto grau de responsabilidade, disciplina, organização e comprometimento”
Raquel Rocha, analista de RH da Vertigo Tecnologia
Fugir do congestionamento, buscar os filhos na escola e ter horário flexível já é a realidade de muitos profissionais. O home office é um regime de trabalho que está se tornando muito comum no Brasil. De acordo com uma pesquisa recente do Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (cetic.br), nos últimos anos, o número de empresas que aderiu à prática cresceu 25%. Na maioria, são funcionários de grande parte das empresas, principalmente da área de tecnologia da informação, dos segmentos comerciais e de comunicação.
“Os avanços tecnológicos que permitiram a mobilidade e a agilidade na troca de informações trouxeram consigo uma mudança no paradigma cultural das relações trabalhistas, até então praticadas de forma extremamente conservadora”, explica Raquel Rocha, analista de RH da Vertigo Tecnologia.
Zeno Rocha, engenheiro de software da Liferay Brasil, trabalha há cerca de três meses nesse sistema. Ele explica que a adaptação foi tranquila, pois a maioria dos profissionais de TI está acostumada a trabalhar remotamente. “Muitas pessoas só produzem na base daquele tapinha nas costas que o chefe dá seguido pela famosa frase ‘E aí, tá pronto?’. Isso não acontece no home office. Lidar com a liberdade que esse regime propõe é um desafio diário, mas facilmente contornável, dependendo do grau de motivação do profissional”, conta.
Raquel enumera várias vantagens do trabalho remoto. Para os colaboradores, mais comodidade, segurança, conforto e flexibilidade de horário, além de uma significativa redução de custo, tempo e desgaste gerado pela locomoção até o local de trabalho. Para as empresas, a diminuição dos gastos decorrentes da manutenção de escritórios, tais como energia elétrica, água e materiais. “Também traz benefícios para a sociedade por ser uma modalidade sustentável, reduzindo engarrafamentos, poluição e outros aspectos”, completa.
Para a especialista de RH, entre os principais motivos que têm levado as empresas a adotarem esse regime, está a preocupação com a garantia de qualidade de vida e satisfação dos funcionários, além de representar uma economia nos custos e, em grande medida, favorecer o aumento da produtividade dos colaboradores. “Trata-se de um fator de retenção dos talentos e um diferencial competitivo”, assegura.
Cuidado com as armadilhas
O isolamento social do colaborador de seus parceiros de trabalho e o distanciamento das informações da empresa, as constantes interferências de cunho pessoal que podem ocorrer e o alto investimento em equipamentos para poder desenvolver todas as atribuições em casa são algumas das desvantagens do home office – além de um possível aumento da jornada de trabalho se não houver um autogerenciamento sólido.
“Uma das maiores dificuldades diz respeito ao controle do tempo. Trabalhar em casa exige alto grau de responsabilidade, disciplina, organização e comprometimento, pois existem diversos fatores que podem desviar a atenção do colaborador e afetar sua produtividade. Por outro lado, pode-se trabalhar demais, já que a fronteira entre vida pessoal e profissional fica mais frágil”, contrapõe Raquel.
Para Zeno, a falta de troca de conhecimentos com outros profissionais é, sem dúvida, um ponto negativo: “Aprende-se muito trabalhando ao lado de profissionais mais experientes e absorvendo conhecimento deles. Isolamento também é algo não muito fácil de lidar. Seres humanos precisam de contato social e a perda disso no ambiente de trabalho é impactante”.
Para contornar os problemas, Zeno encontrou um ambiente de cooworking, um grupo com pessoas que continuam trabalhando independentes umas das outras, mas dividem o mesmo espaço e trocam experiências.
Trabalho regulamentado
Raquel Rocha frisa que o home office é diferente do trabalho autônomo. Enquanto na condição de autônomo o profissional pode atender diferentes demandas, no home office o colaborador tem um vínculo empregatício com a empresa e, por isso, precisa se dedicar exclusivamente a ela no horário estabelecido. “A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê para o trabalho a distância as mesmas garantias legais que o realizado na empresa ou no domicílio do empregado”, alerta ela.
Para que a relação seja harmoniosa e rentável, é preciso haver um acordo claro, com metas e regras bem definidas. A empresa precisa entender que o essencial está nas conquistas finais e nos resultados alcançados; para tanto, precisa cobrar dos funcionários a apresentação de resultados dentro dos prazos e de acordo com as normas de qualidade. “Experiências bem-sucedidas baseiam-se em modelos regidos por objetivos e prazos fixos direcionados ao profissional que trabalha em casa”, esclarece a analista de RH.
Trabalhe bem em casa
A Revista Colombo Premium selecionou algumas dicas da especialista Raquel Rocha para quem trabalha em regime de home office.
- Estabeleça um local específico para desempenhar as atividades e uma rotina com horários definidos e que devem ser seguidos, de fato, como se você realmente estivesse no trabalho.
- O ideal é que as condições em casa sejam semelhantes às do ambiente de trabalho da empresa.
- Vale estabelecer regras claras para os familiares de modo que eles não interfiram na rotina de trabalho e a relação entre todos da casa não seja afetada.
- Não perca contato com outros profissionais da empresa só porque eles não estão sentados ao seu lado. Manter-se informado é essencial em qualquer profissão.
Leia a revista completa, clicando aqui.









